Filé-mignon de Porco com Porcini.




Um tornedorzinho de filé-mignon de porco bem limpinho das peles, passei por pimenta do reino apertada no pilão, daí o levei a frigideira com um tiquinho de azeite.

 O porcini tinha-o reidratando há duas horas, coei-o, lavei-o das terrinhas e levei-o a frigideira com creme de leite. Tudo com sal e pimenta do reino a gosto. O ponto da carne também é a gosto. E zéfini.

Comida de boteco. Antepasto de Sardinha. Sardinália.


Todo omega 3 que precisamos em um mês está em uma sardinha. Comprar omega três é tão só mais uma demência do consumo. Portanto como sardinha por gosto.
No mercado municipal há umas caixas de sardinhas salgadas. Outro dia encontrei umas miudinhas. Que limpas de cabeça, espinhas e um banho em água corrente com intuito de diminuir sua salação. As piquei miudamente, escorri toda sua água – apertando-as contra o fundo do escorredor de macarrão – voltei a picar para constatar que estavam bem desfeitas. Juntei a elas um monte de cebola, picadas quão miúdas quanto possível. Fiz o mesmo com um maço de cheiro verde, miudamente picados e misturados, provei o sal, dei-lhe um que de pimenta dedo de moça, também em troços mui reduzidos. Tudo em seguida reguei com azeite de olivas Picuã, que também tem um ponto de ardência. Verificando que tudo estava perfeito, botei tudo na geladeira, para que macerasse um bocado. É um descanso justo. Depois é só passar na torradinha. Mas confesso que comi com um prato de arroz, tíbio.




 Depois descobri que acompanha maravilhosamente uma salada de tomate. Com a torrada a coisa acaba pedindo um copo de cerveja.   

Comida de Boteco. Isca de Sasami de Frango.



Corte o peito de frango em tiras cúbicas com pouco mais que meio centímetro de lado e compridas como sejam, fica bonito, compridas. Prepare num liquidificador o tempero. Alho, cebola, salsa, cebolinha, uma folha de louro, limão, raspa de casca de limão, pimenta dedo de moça a gosto e um cubo de caldo de bacon. Cuidado com o sal pois o 'caldo' já é bastante salgado. Se quiser 'incrementar' pode colocar caldo de galinha. Misture a pasta aquosa obtida com as iscas de frango, dentro de um saquinho. Deixe repousando na geladeira





. Deixei de ontem pra hoje.
Na hora de fritar, passe por farinha e em seguida uma mistura de: leite, ovo e um teco de sal ( se for fanático, desfaça na mistura meio cubo de caldo de bacon ). Homogenize e passe por ela as tiras de frango enfarinhadas. E tudo seguido por farinha de rosca, eu uso pão de outros dias. Frito.



Sassami é o mingnonzinho do peito de frango.
O nome é dado pelos japoneses. Sua maciez é total. No demais padece dos mesmos problemas do frango de granja. Mas é o que nos resta, além de quando em vez trombar com um frango caipira, para então saber do que falamos. Entretanto para fazer frangos caipiras na quantidade que se faz os de granja, hoje em dia, necessário seria fazer do pais um galinheiro.

Bacalhau com Refogado de legumes.




A salga do bacalhau já é um cozimento. Como o ceviche é cozinhado em limão. É pensando nisso que se pode fazer saladas de bacalhau somente dessalgando-o e usando suas lascas. Nada impede outros cozimentos como na grelha, assado, nadando em azeite, assado no forno imerso em “natas”. Esse bacalhau que proponho é muito simples, barato. Com uma bandeja de lascas de bacalhau que compro no Mercadão por 6 rauls me lambuzo de tanto chacha!

Um pimentão vermelho em pedaços grandes para que se veja depois do cozimento, outro amarelo do mesmo modo, pode ser verde, pode ser uma só cor. Cebola igualmente cortada. Alho um tanto mais miúdo, uma abobrinha paulistinha, mas pode ser 'italiana' ( ou de árvore como se dizia a 30 anos atrás), uma berinjela. Frito a berinjela e a abobrinha em óleo bem quente, até bronzearem. Na frigideira vou refogando alho e cebola em azeite ( achei um de alberquineas, um show de sabor, olor e pouquíssimo ácido e barato, acho que a Espanha está em liquidação). E com certeza, sim, o bacalhau demolhou por uma manhã, por serem lascas é mais fácil dessalgar. Quando alho e cebola estão a dourar, acrescento os pimentões. Deixo refogando demoradamente. Nisso, bato no liquidificador um par de tomates, maduros, sem sementes, e quando os pimentões estão feitos, acrescento o suco de tomate e deixo ir amalgamando, quando vejo que o suco está desmilinguido dou ao refogado as abobrinhas e as berinjelas. Dou uns tombos, pra lá e pra cá, então somo as lascas de bacalhau. Retifico o sal. Dou mais azeite. Tudo é facultativo, menos o suco de tomate, que não pode ser de saquinho, pois tudo deve ser natural.   

Um dia de questionamentos. ElBulli-Alqueria



clic en la foto per a veure el album.

Em sòc molt mès a gust i vaig comprendre las meus mancas conceptuals.
Estou bem à vontade e compreendi meus defeitos conceituais.
Sent aixi puc mirar mès lluny sigui mès enllà.
Assim sendo posso olhar mais longe seja mais além.
Aliàs, enllà ès a dintre de la cosa en si mateixa, des del centre del concepte mateixo.
Aliás além é dentro da coisa em si mesma, desde o centro do conceito.
Tot i que no manca pas l'erotisme pel que fá el dibuix que surt l'ulls del comensal.
Näo falta erotismo ao desenho que aparece aos olhos do comensal.
N'hi haurà goig per al que menjarà? Això no em puc respondre, que això perteneix a ell.
Haverá prazer para quem come? Näo posso responder pelo que come.
Per a n'altres que fem, n'hi ha, i tant que tenim, això ès nomès que... goig sencer.
Para nós que fazemos é gozo puro e inteiro.

Espaguete de 2 metros. El Bulli-Alqueria.

cido galvão preparando pratos de 2 metros de espaguete no El Bulli.



A Roma fa com es fan els autòctons...
Em Roma faça como os romanos.
Una vegada a Roma vaig menjar l'Alfredo amb tota la misa-in-scene del llòc, que avui dia és només que per
Uma vez em Roma comi ao Alfredo, com toda a misa-in-scene do lugar, que já era nada mais que 
a turistes, i als carrers vaig tenir per a dinar un quartet de kilo de Parmiggiano-Reggiano amb un tros de pa,
restaurante para turistas, e na rua comia um quarto de quilo de Parmiggiano-Reggiano com um pe-
però mai ambdues àpats no van imprimir-me a la meva cavitat gustativa tan frenètic galopar del seu cavaller
daço de pão, nunca duas comida imprimiram na minha cavidade gustativa tão frenético galopar do seu cavalo gustativo.
gustatiu , com quan vaig florir el jardi de la sensació del gust al zigzaguejar per la meva llengua el 2m
como o que vai florecer o jardim da sensação do gosto ao ziguezaguear na minha lingua este espaguete de 2 metros. 

Gaspacho de Lagosta


Este é o texto original de 17 de setembro de 2007: blog original. 
  QUÈ N'HI HA del guazpacho andaluz en el guazpacho de bogavante d'en Ferran Adrià?  
Primer que la cuina Catalana des de molt disposa de tècnicas admirables amb els peixos de carn dura que aporten a les costes del llevant on hi ha una mena inumerable de guisats i altres varietats abracadabrant ( gracies Pere) de calderetes de peix. Entremig hi ha el suquet i doncs que dir de llur receptari amb llagosta i llamàntol - i altres cefalopodes - especialment a les del litoral gironì. 
Per atotareu n'hi ha senyals de surrealisme, com el brou de peixos bullits fins a l'autodissolució com se hom vulguessin que el peix deixi no pas la consciència del seu gust i que si l'inconsciente mateix del gust. Tot això vaig sentir quan he tingut davant meu El guazpacho de bogavante. Des de la quenelle de una brunoise perfect de tomàquets, concombres, pebrot vermell, ceba i ceboullete vert, que de vegades em aporta a Gaudi en lo particularism del mosaic i altres a Dali al non-sense del pla general del plat, i naquest cas que sigui la quenelle el nas u bé com es fossi l'arc abans d'un diluvi anunciat que no tardarà. El secret del Guazpacho de Bogavante ple a seny i un senyal de savieza.
Al costat de l'arca (nas) es fica un tomàquet on s'hi ha canviat llavors per a trocets de llamàntol i l'altre banda una petita ceba tendra i aclarida amb una rodanxa molt fina de pebrot del padró i tot al costat el llamàntol jagut i cobert per a rodanxes de pa a micro mesuras.

Guazpacho andaluz passa, passà, i passarà que el seu gust deixa la boca ple i desitjosa , clar de peix, que sigui fred com el bogavante.

Naquest cas la savieza d'en Ferran Adrià ès la savieza que vaig aportar la cultura gastronomica de seu poble i l'art seva mateixa.

Que há do gaspacho andaluz no gaspacho de bogavante ( lagosta com pinças) de Ferran Adrià?
Primeiro que a cozinha catalã desde muito dispõe de técnicas admiráveis em relação aos peixes de carne dura, que chegam às costas levantinas, onde há multitude de guisados e outras variedades abracadabrantes ( obrigado Pere, porque Pere dizia isso do meu texto em catalão) de caldeiradas de peixe. No meio disso tudo há o caldo e então o que dizer de seu receitário com com lagosta e bogavante - e outros cefalopodes – especialmente do litoral de Gerona.
Por todo lado há sinais de surrealismo, como o caldo de peixes cozidos até a auto dissolução como se quisesse que o peixe deixasse não só a consciência do seu gosto mas sim seu inconsciente mesmo.
Tudo isso senti quanto tive diante de mim o Gaspacho de Bogavante. Partindo da quenele de brunoise perfeita de tomates, pepinos, pimentão vermelho, cebola e cebolete verde, que as vezes trazia Gaudi no seu particularissimo mosaico e outras Dali do non-sense do plano geral do prato. E neste caso que seja a quenele o nariz ou bem como se fossi a arca antes de um diluvio anunciado e não tardará. O segredo do Gaspacho de Bogavante é estar cheio de signos e um só sinal de sabedoria.
Ao lado da Arca (nariz) se coloca um tomate, donde se trocou sementes por pedaços de bogavante e do outro lado uma pequena cebola tenra e clareada com uma rodela muito fina de pimentão do padrão (tipo de pimentão verde, pequeno e não ardido) e do lado oposto jaz o bogavante coberto por rodelas de um micro pão.
Gaspacho andaluz passe, passou, e passara ( isso em catalão tem o sentido de abrir caminho a algo que se quer muito e cheio de honrarias, no caso o gaspacho) que o seu gosto deixa a boca cheia e ainda desejosa, claro de peixe, mesmo que seja frio como o bogavante.
É uma receita que fiz no El Bulli no ano de 2007.

Mexilhões em escabeche de beterraba.






É uma receita que até mesmo Jung, que não se “baseia” tanto na sexualidade, diria: Fundamentos sexuais, porque se fosse Freud diria: libidinoso. Não sei se poderia negar a assertiva junguiana, dada a terrosidade da beterraba, a vulvanidade do mexilhão e somado a essa cor da beterraba.
Os mexilhões coloridos, vermelhialaranjados, são os machos, os ou as, clarinhas são as fêmeas. Eu gosto muito de mexilhões e das mexilhonas.
Depois do Perequê, no Guarujá, na estrada de Sorocotuba ou ali perto, no Dalmo's, comi uma bandejada de mexilhões, que pelo preço jamais esquecerei. Um dia cruzei do mercado Modelo para Itaparica e as dez em ponto me ofereceram um catado de sururu ao vinagrete, (vinagrete nesse caso é tomate, cebola e coentro picadinhos) e sururu é mexilhão. Em ambos os casos me morri de tanto comer, porque as companhias em geral “odeia” frutos do mar e 'muito, mais, ainda' coentro, então pedem um filé de peito de frango.
Dai que outro dia fui na casa de um conhecido, por questões eleitorais, e lá há um loureiro. Um loureiro é raridade. Encontramos até nas piores casas do ramo, umas folhas de louro embaladinhas. Mas um loureiro! Nein. “Roubei” umas ramas do loureiro do Zé Pograma. Fiz o que pude com o louro fresco. Até que chegou o momento da beterraba. Combinou à perfeição. O olor é indescritível.
Comecei a fazer uma fritada de cebola, beterraba, alho e louro, que me pediu vinagre. Nada mais nada menos que 'Escabeche”. Logo de seguida aquilo começou a me pedir algo mais, eu disse vinho branco seco, cabernet, era o que tinha, e continuou a pedir... Tinha na geladeira uns camarões, lagostins, lulas e mexilhões que trouxe de Ubatuba. E terminei por casar beterraba, louro e mexilhonas e mexilhões. Cozinhei uma beterraba desde a água fria, fatiei-a em rodelas bem finas, enrolei-as como se fosse um cone. Recheei esses cones com uma maionese de leite e óleo de milho com estragão fresco.   pelasbarbasdosmexilhões.

Carpaccio de Camarão Cinza, Ferro e Wassabi.



Carpaccio de Camarão com Wassabi.

Dizia Oswald de Andrade que somos um povo, culturalmente, antropofágico. Mastigamos, tiramos as espinhas, engolimos, traduzimos para a nossa cultura e já era.
A tese do Oswald pode ser discutida, mas esta não é a praça que merece essa discussão. No entanto traçando paralelas, tenho visto como a coisa funciona na culinária. Lembro do tomate seco e sua chegada triunfal. Do desembarque foi direto para a pizza, as macarronadas, o café da manhã, o lanche, o chá da tarde etc. Do café da manhã à larica reinou soberano por uns meses, ou ano não sei. Cedeu lugar à próxima novidade. Hoje, há quem faça tomate seco em micro-ondas, nada contra, mas muito menos a favor, sou neutro como o STF.
No entanto antes do tomate seco houve o carpaccio. Cheguei a ver saches e saches de parmesão – tipo sabão em pó amarelo (a granel) cobrindo o disco de carne – lagarto – melecado por tubos de mostarda amarela e semeado de alcaparras. O que fora uma brincadeira gastronômica para italianos virou um prato obrigado a empanzinar brutos.
Com essa liberdade e esquecido de autocriticas é que fiz o meu carpáccio de camarão cinza.
Retirei suas cabeças e cascas do rabo e reservei-as. A sua tenra carne amassei, até que amalgamada formou um disco, sob um plástico e do outro lado do disco outro plástico, levei-o ao congelador. E quando congelado e dez minutos antes de degustar a coisa, pousei o disco sobre um prato onde tinha feito um círculo de Wassabi pasta. O molho que coloquei sobre ele, perpetrei moendo no liquidificador, as cabeças e as cascas com um choro de vinho branco seco. Salpimentei. E viva a antropofagia cultural.





Lula na chapa.





Na verdade esses anéis são de Sépia da costa chilena, os encontrei no Extra. São bem mais grossos que a Lula. Lula e Sépia são cefalópodes, porque têm os pés na cabeça. Obedecem o mesmo critério de cozimento que as lulas, mas se dão maravilhosamente na chapa – frigideira com pouquíssimo azeite –. Uma vez na chapa, deixei os anéis dourarem, ficarem bem seladinhos, então lhes dei um tombo, para que caíssem do lado branco e ali permaneceram chiando, quando a chiadeira diminuiu, estavam prontos. Havia picado uns dentes de alho, um punhado de salsinha, miudamente, aos quais temperei com sal e bastante azeite, emulsionei, pois o alho se presta a isso e cobri os anéis carnudos de Sépia. Sépia também é cor, cor de fotografia velha, esmaecida, tem no Instagram.      

Imposto da Gordura. Europa.





Existe a possibilidade de que os políticos comunitários considerem a ideia de aplicar um imposto sobre a gordura em âmbito europeu. E como já é habitual, a escusa é a luta contra a obesidade e o sobrepeso.
Na Dinamarca esse imposto vigora desde 2011, apesar de já experimentar um retrocesso. Foi no ano passado que na Dinamarca se aprovou o Imposto da Gordura e em menos de um ano, o governo dinamarquês mostra-se intencionado a abandonar tal medida, o problema agora gira em torno de: como perder a arrecadação que se obtém com ele?
O Imposto da Gordura está relacionado com os alimentos que favorecem o ganho de peso e por conseguinte o sobrepeso e a obesidade.
Esse tipo de imposto não é, absolutamente, novidadeiro, porque fazem parte de um tipo de imposto que se denomina Pigouviano, e recebem esse nome maravilhoso graças ao economista Arthur Pigou, pioneiro na economia do bem-estar. Um ramo da ciência econômica e politica preocupada por associação a tudo que diz respeito a eficiência econômica e o bem-estar social. Vide José Serra via o doutor Dráusio Varella.
O Imposto Pigou se aplica para corrigir uma situação de custos ou benefícios e consumo de um bem de serviço, que não é reflexo do preço de mercado.
Por exemplo, o consumo de Gorduras causam sobrepeso e obesidade, a obesidade e o sobrepeso têm um custo para o sistema de saúde, que é maior que o sistema arrecada com a venda, produção etc de tais produtos, logo estes custos devem ser repassados a cadeia de produção, venda e consumo de tais produtos. Essa ideia é dos anos 20 do sec. XX, e é amplamente aplicado ao cigarro, ao álcool e recentemente às emissões de gases do Efeito Estufa. Claro que teoricamente é lindo, pois o dinheiro seria usado para cuidar dos obesos, reflorestar, cuidar dos fumantes, financiar tecnologias respeitosas com o Meio Ambiente, criar áreas verdes etc.
Eticamente a Dinamarca abandonará o Imposto da Gordura, porque resultados e pressupostos científicos poucos significativos a levarão a tal, mas também por uma pressão muito forte dos setores de fabrico de alimentos, organizações e sindicatos que alegam 'perda de postos de trabalho' , compra de alimentos de outros países, para não se pagar os ditos impostos.

Imposto da Gordura: O caso danês.
A taxa é de dois euros por quilo de gordura saturada em qualquer tipo de carne, também grava qualquer alimento, cujo conteúdo em gordura saturada exceda a 23%, alguns exemplos são os produtos de confeitaria, manteigas e queijos ou alimentos preparados como as pizzas, os pré-cozidos ou pré preparados entre tantos. O governo danês já se preparava para introduzir o Imposto do Açúcar, seguindo o mesmo modelo do Imposto da Gordura e com a mesma escusa: Saúde pública. No entanto, industrias implicadas e população, sob o prisma da diminuição dos postos de trabalho e o carimbo de Imposto Arrecadador e a efetiva diminuição de vendas, mas com a compra em outros países aumentadas, foi um coquetel difícil de engolir pelo governo da terra de Hamlet. Acontece agora que o governo danês encontra-se numa sinuca de bico, a arrecadação obtida e a futura já tem destinação, e a 'única' saída que vêm é aumentar o 'bundskat' Imposto de Renda.

Curiosidade. O Forum Nacional (Dinamarca) de Obesidade declara que bastaria controlar a quantidade de sal e açúcar para alcançar-se muito mais saúde que toda a parafernália de IMPOSTOS.      

Alimentação Saudável.



Nos Estados Unidos, soa com muita força o clamor dos consumidores que exigem seu direito de saber sobre os alimentos que consomem, pedem às grandes companhias que sejam mais transparentes, que revelem as práticas industriais, os ingredientes ou aditivos que se utilizam, que as etiquetas dos alimentos sejam claras e informem sobre os produtos com 'veracidade', que não ocultem informação...
Encabeçando todas estas exigências sob o lema “DIREITO DE SABER” se encontra a campanha que exige uma legislação transparente e informativa sobre os alimentos transgênicos. Que perseguem a aprovação da “Proposição 37”, um projeto sobre o etiquetamento dos alimentos transgênicos na Califórnia que se vota em 6 de novembro.
Enquanto os consumidores pedem para Saber o quê comem e qual a verdadeira composição dos alimentos, a resposta da industria agroalimentar deixa muito a desejar. Mas gastam milhões de dólares para que a coisa permaneça como está, seja, manter o consumidor na ignorância.
Na cabeceira da contra-luta encontram-se as companhias biotecnológicas e as grandes empresas de alimentação, que nas últimas semanas aportaram muito dinheiro para subvencionar (vejam gráfico de doações da principais empresas), e justamente pretende assustar o consumidor desde o bolso, com a ameaça da subida de preços dos alimentos. Pois segundo os cálculos realizados, haveria de se trocar 80% da rotulagem – etiquetados – pois essa é a quantidade de alimentos com ingredientes transgênicos.
Se se aprova a “Proposition 37” na Califórnia, abriria brecha para que o mesmo ocorresse em outros estados e mundo afora. Isso faz com que as indústrias agroalimentares incremente seus esforços ($), para evitar que ande adiante tal legislação.
Já existe por lá uma lei federal de uns dois anos, que se facilite a rotulagem transparente, indicando a quantidade de calorias que contém qualquer produto alimentar, em cardápois de fast food, etc. É uma exigência que o Food and Drug Administration – FDA – tem dificuldade de por em prática, dada a forte pressão de alguns setores da industria alimentícia, que fazem de tudo para ficarem a margem da normativa.
O tema é raivoso e atual nos EUA, desde a controversa aprovação do Hidróxido de amônia (uma mistura de agua e amoniaco utilizada para processar alimentos como a carne, é um agente leudante de auto-aumentar – que incha como bicarbonato de sódio – que controla o pH dos alimentos, atua como agente antimicrobiano e é aceito como disse pelo FDA, mas não é um produto bem recebido pelos consumidores, inclusive pelas denuncias do afamado J. Oliver no seu Food Revolution nos EUA e como ilustrava o processo usando uma lavadora para lavar a carne com a mencionada mistura de amoníaco com água. No Brasil nem sequer sonhamos e atacar um besta desta envergadura, Sadia etc. Há um documentários Food inc de Robert Kenner, se quiserem, que foi apresentado em Berlim.

20 inventos para a alimentação.





A Real Sociedade de Londres para o Avanço da Ciência Natural (Royal Society) publicou uma lista dos 20 inventos e inovações mais importantes do mundo da alimentação. Os critérios foram: acessibilidade, produtividade, estética e a saúde.
Destaca-se os inventos dos últimos séculos, os três primeiros correspondem ao séc. XVIII e XIX, a refrigeração artificial, algo que se logrou por volta de 1748, a pasteurização de 1862 e a conserva em latas de 1810, claro que antes se faziam conservas em vidro. As latas ampliaram a vida de alguns alimentos em cinco anos.
O 4° invento é o forno tradicional, que remonta seu uso a milhares de anos, e que foi evoluindo, até chegar ao forno de lenha e rapidamente aos elétricos.
O 5° posto é para irrigação, graças a canalização e até chegar aos famosos pivôs de irrigação que quebraram uma infinidade de fazendeiros nessa terrademeudeus.
O 6° posto estão as colheitadeiras. Que economiza tempo e trabalho e dinheiro.
O 7° o cozinhamento, porque anteriormente se usava pedra quente ou brasas.
O 8° posto vem para a criação seletiva, seja a seleção dos produtos da alimentação que apresentavam maior interesse de consumo, seja animais ou vegetais, afim de melhorar a produtividade e a qualidade.
Em 9° vem o moinho, o processo de moagem dos cereais, que antanho eram moído entre duas pedras. O moinho é processo utilizado em amplo espectro, café, por exemplo.
O 10° lugar é o arado que facilitou a o processo de semeadura e produção dos alimentos.
No 11° posto aparece a fermentação, graças a este processo desfrutamos do pão, do queijo e bebidas como o vinho e a cerveja.
A rede de pesca aparece em 12°, e data da Idade da Pedra, e permitiu aproveitar os recursos marinhos.
No 13° está a rotatividade no cultivo, fazendo com que não tenha havido o total empobrecimento das áreas cultiváveis.
No 14° está a Panela, com a comida de fervura, quem pode viver sem uma panela?
Na 15° estão as Facas de cozinha, que viraram o refinamento dos 'chefs', mas primeiros foram folhas de sílica ou ossos e pouco a pouco evolucionando, hoje com folhas de cerâmica e quase não perdem o corte.
No 16° está o 'faqueiro', garfos, facas de mesa etc. Pois foi com estes que começamos a deixar de comer com as mãos, e cortar os alimentos de tal forma que caibam na abertura bocal.
No 17° é a ROLHA, que fecha garrafas famosas com sua impermeabilidade, as primeiras cervejas eram tapadas com rolhas.
No 18° sãos os BARRIS, para azeite, vinho, água... sem eles nossa vida teria sido muito complicada.
No 19° está o MICROONDAS, um aparelho que graças ao magnétron, permite a cocção dos alimentos fazendo vibrar as moléculas de água contém, nasceu em 1947 e custava 50.000 doletas, tinha 1,80 m de altura e pesava 340kg.
E para terminar o posto número 20 está com a FRITURA. Cozinhar em óleo, azeite, gordura é algo que os egípcios já desfrutavam a 5000 anos.

Comidinhas $audáveis!



Nos anos setenta um suposto estudo médico dizia que o leite da vaca, particularmente o leite em pó – e só havia uma marca – era melhor que o materno. Trinta anos depois o Estado brasileiro  se viu obrigado a gastar milhões em campanhas de 'conscientização' para se retornar ao velho hábito de amamentar. Logo depois ou a um só tempo a vitima era a manteiga, que devia ser trocado pela fabulosa margarina. Tudo sempre fundamentado em escassos 'estudos', quando não falseados. Então vem a soja e seus milagrosos derivados leite,  proteína e tudo mais, activia, barras de cereais, histórias. Nada que uma boa comida balanceada – frescor e quantidade – não contenha. Capsulas e hóstias de Ômega três, que nada mais é que sardinha, sardinha e atum, peixes conhecidos pelo mundo afora como pescados azuis. Se quero Ômega 3, como sardinha, sardinha em lata, atum em lata, mas se encontro frescos, pois então, sardinhas frescas na brasa, atum na grelha.
Duvide, meu caro, duvide e muito, quando disserem que cerveja é legal para... cerveja é bacana para se embriagar, mais ainda: degustar. Café e vinho. Esqueça seus poderes medicinais. Nada é comprovado, e quando existe um fundamento cientifico é pífio. E estes trabalhos são publicados em revistas da envergadura ética da Veja. Ciência de Facebook, Google, Wikipédia etc não é ciência, para se obter um artigo cientifico de folego, duma revista cientifica, razoável, custa mais de 20 dólares.
Mame, beba e coma moderadamente, equilibradamente: chuchu, abóbora, sardinha, arroz, feijão etc. A soja é ótima para fazer biocombustível.     

Frutos do mar. Cartas a André Berazotti, Chef de cozinha.


André, acho difícil um cozinha – restaurante – expressar a cozinha espanhola, sem cair no que foi transformada no Brasil a cozinha italiana: uma massaroca, um grude – basta ver o que é a paella ( basicamente de frutos do mar) feita por aqui, uma exuberância, um volume, o mais, sem sabor. Nisso temos alguns problemas. O paladar brasileiro (cultural) e aqui falo do paladar de quem frequenta restaurantes, não da massa ignara, mas mesmo esse público desconhece a simplicidade de um camarão fresco, seu ponto de cocção etc. O mais das vezes têm que ser cozidos até virarem isopor, por estarem congelados a longo tempo. O congelamento não é pecado, pecado é como se congela por aqui, com água e outros aditivos que estouram toda a textura da carne do bicho, isso com respeito ao camarão, aos mexilhões, às lulas, aos polvinhos miseráveis e aos peixes em geral, de rio ou de mar. Nesse quesito o grande Idalvos ( e o respeito muito), trocou tudo pela quantidade e tudo ficou em ordem. Como ir a um restaurante é um 'evento' para lá de especial, resulta que o comensal deseja sempre se fartar das iguarias. Salvadas todas as exceções, neste campo 'marinho' temos muito pouco que pode ter esse adjetivo: iguaria.
A Paella. A paella pode ser consumida em qualquer boteco e em toda a Espanha, principalmente nos menus diários, que é a solução encontrada pelos “restauranters” espanhóis para a hora do almoço comercial. Esse menu diário em geral se começa por uma salada. Seguido de uma massa ou um arroz – paella para eles é arroz com gosto – no caso a paella é servida às quintas e sábados. Como segundo prato, antes do principal, que sempre será uma carne, o menu se completa com a sobremesa. Esta paella de menu diário é a mais digna de representar uma verdadeira paella, que deve ser entendida 'sabida' em Valência, nas suas variadas facetas, de verduras, de frutos do mar, mistas etc feitas em público. Como disse em Valência, mas encontrada por toda parte. Fuja das paellas de pontos turísticos, pois já se trata de uma aberração, em geral cometida por cozinheiros estrangeiros, com o propósito meramente comercial, que tem seu valor, mas não é do que estou tratando.
O polvo da feira. Pulpo a la feria. Esse polvo é um prato que se restringe à Galícia, La Coruña. Polvo cozido: serve-se seus tentáculos ( ainda com sua pele – essencial –) cortados em rodelinhas, condimentado com um pimentão doce e picante em pó e sal. Pode aparecer com um molho desse pimentão em abundante azeite avermelhado. Se precisar da técnica para cozinhá-lo posso passar.
Aliás deve ser agora em agosto a grande festa do polvo em Orense – o Original – mas como tudo ele estará por toda Espanha, ora bom ora nem tanto.
Galícia é a maior e melhor produtora de frutos do mar da Espanha. Ainda que os do mediterrâneo, talvez pelo iodo, tenham sabores bastante diferenciados.
Atente para a Sépia. Um tipo de Lula, Calamar. A sépia tem seu tubo e tentáculos mais grossos e fica maravilhosa, quando mostrada para a chapa ou frigideira e servida com uns dentes de alho picados misturados com salsinha finissimamente picados e azeite.
Atente para os Pés de Cabra. Caracóis do Mar etc.
Atente para um peixe que se chama Rodoballo, ou Rodovallo segundo o lugar.
Pode ser que se consiga substitui-los. Sempre se perderá muito, se o que se quer é fazer uma cozinha espanhola. O robalo, por aqui, é fantástico e não encontra tantos admiradores (cultural).

Horchata de Amendoim. Leite de Ameidoim. Horchata de Mani.




A horchata é orxata e de chufa que é um tubérculo. Para os brasileiros caiu no gosto por culpa de Caetano Veloso em Vaca Profana. Caetano deve ter passado pela Rambla e atinado viu que bebiam leite ou coisa que se parecia. Aprendeu a pedir! E a mim me introduziu no idioma Catalão, que por acaso fui tomar o primeiro contato direto com a língua quando Vaca Profana era ouvida na Catalunya Radio. Fui lá tomar minha Orxata de chufa, por favor!
Botei de molho uma mão-cheia de amendoins crus. Deixei-os na geladeira por uma noite. Pelei-os. Liquefi-los. Coei-os. E ternura que a vida é, diante da saudade, souberam a orxata, pot ser que sigui una mica cap ametlles, però això, nomès em va donar un sentit cap aquest dia angoixós!

 A um pouco do leite misturei açúcar. Ficou parecendo um pé de moleque líquido. Outro tanto temperei com sal e azeite, desta maneira fica parecendo o  ajoblanco malaguenho.
A parte seca está guardada na geladeira. Acho que vou tentar um queijo. Queijo de amendoim.


Cozidão, de Belém do Pará.





Lembro do Ver-o-Peso, com sua infinidade de bananas, onde me deparei pela primeira vez com o roxo Açaí, num prato fundo, que me sustentou por horas, era coisas que buscava comer para sobrar mais para a bebida, Cerpa. As ratas passeavam por debaixo do tablado, ninguém ligava, sorvia o sorvete de cupuaçu. Nas ruas o tacaca gosmento com seus grelos de jambu para adormecer a língua. A tarde caia abafada, era a hora da chuva, quinze minutos torrenciais. À noite, Palácio dos Bares, sobre o rio Guamá que subia com a maré e pelas frestas do chão de madeira do bar via a água subir, lá, Marina, piauiense, me apertou no meio da coluna, mais para o fim do espinhaço a me dizer “ Vem cá paulista, vou te ensinar a dançar esse carimbó” e fomos. Foi lá que vi Elomar, o Trovador, abandonar o palco, pelo barulho dos ouvintes, foi antes do João Gilberto. Namorei em frente a uma igreja, que ostentava azulejos pintados com dois portugueses em terno e gravata um de cada lado de um riacho, por onde desce uma piroga com um índio. Namorei por alguns dias um cozido que cheguei a presenciar o começo de sua feitura, tomava café naqueles momentos, e na hora do almoço sempre me encontrava longe dali, mas um dia a hora e o cozido vieram a calhar. Tinha todos os legumes, quase todos, e carne. A lembrança é do jambu e de um caldo espesso e liso, que se não fosse mandioca bem poderia ser o tacaca. Sei que foi marcante. Permaneci com sua imagem e pouco mais. Depois meu dinheiro acabava, vendi doze dólares que me trouxeram bêbado pela Belém-Brasilia, pordeus! até Ribeirão e uma gabriela até Bonfim.    

Mandioca com Bacalhau: Bolinho.




Sobrou bacalhau e faltou batata, mas tinha mandioca. Cozinhei a mandioca justo a amolecer. Não se deve cozê-la em demasia, acaba por absorber muita água, ingrediente desnecessário na fabricação de bolinhos tendo como base tanto mandioca quanto batata, no caso da batata, seria o caso de assá-la, como no caso do nhoque. Nunca tentei assar mandioca, mas ela não tarda por esperar.
Deixei escorrer a água da mandioca e a passei pelo passa purê ainda quente, sobre essa massa quente despejei três colheres de azeite quente. Sovei com uma espátula de silicone, que a chamo de pão duro, coisa aprendida em Portugal, pois deixa a panela limpinha. No caso usei a espátula porque a a massa estava muito quente. A massa de mandioca escaldada com azeite ganha airosidade, em seguida misturei o bacalhau desfiado ( só dessalgado), um pouco de alho raladinho e corrigi o sal. Nessa altura já ia morna a coisa, então passei a usar as mãos, que é a parte que mais gosto. Dei forma aos bolinhos e fritei em azeite bem quente. Não sem antes passá-los por farinha de rosca.  

Mousse de Chocolate Branco com Morango Caramelizados.







Numa panela pingo umas gostas de limão e acrescento o açúcar. O limão é para que o açúcar não se cristalize novamente. Faço o caramelo. Deixo-o esfriar. Quando frio adiciono os morangos cortadinhos. Pode se fazer com laranja, ou qualquer outro cítrico. Guardo na geladeira.


Bato duas claras até montar e reservo. Bato 200ml de creme de leite até montar e reservo. Em 100ml de creme de leite derreto 100gr de chocolate branco e uma colher das de café de gelatina sem sabor reservo até esfriar. Quando fria vou misturando vagarosamente, cuidadosamente, para que não perder a airosidade da clara e do creme montado. Tudo em seguida coloco a mistura na geladeira por três horas. Mas quem diz que a Joana esperou três horas. “Acho que duas horas, já faz duas horas!” Ela dizia. 
Joana é uma formiga, que sempre chega na hora do doce. Coloco os morangos caramelizados no fundo de um recipiente e cubro com o mousse. Retorno à geladeira, o quanto puder esperar, tente uns quinze minutos.










Brinquei com umas amoras. Esmaguei-as. Misturei-as. O prato ficou como avental de pintor.

Pé de Porco com Ameixa.




Que poderia dizer desta receita? É uma variação de uma receita que aprendi com Dona Pilar em Tornabous. O prato original e familiar – ela sempre reticente, sei que me ocultou algo, pois coisa que aprendi: é que não se pede a receita a uma família, mas como ignorava este costume básico, creio que ao menos fui desculpado, mas dada a gravidade de minha gafe, melhor é dizer que fui perdoado, caso exista perdão – enfim o prato consiste em pés de porco pré-cozidos partidos ao meio na longitudinal e depois assados em um creme à base de creme de leite, clara em neve, ameixas e uma raladura de trufa negra dos Pirineus catalães (bem baratinha). A minha adaptação diz respeito à desossa dos pés de porco e a substituição da trufa por shitake picadinho e um acréscimo de tomilho que não fazem parte da receita original. Depois de cozinhar bastante os pés de porco em água, cebola, cenoura, louro e alho; os desossei. Numa frigideira fiz um refogado, a fogo lento, até a cebola, o alho e o tomate se amalgamarem. Deitei ai os pés de porco com as ameixas, o tomilho e os shitakes. Fritei até que os pés de porco se impregnassem dos sabores, para só então botar o creme de leite. Cozinhei tudo até que espessassem.
Servi com um chutney de Pimientos Morrones, que fiz a três ou quatro meses, e é agora que se encontram num grande momento de sabor.