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Filé-mignon de Porco ao Curry.




Tenho me esbaldado com o Filé-mignon de porco. Básico, pago menos de R$10,00 o quilo, por uma carne que tem a textura daquela do boi, sendo esta ainda mais terna, tenra e cheia da graciosidade dos seus sucos, coisa que não se encontra no filé-mignon de boi. Nem comento tanto, com amigos e conhecidos, primeiro que esbarra numa série de pré juízos, desde a remota taenia à recente gordura. Nessa seara proliferam argumentos que se contrapõe o que para mim já bastaria, mas se não bastassem sempre carregados de ignominia. Segundo, se os convencer, pode que aumente a demanda e o preço.


 Num churrasco recente, fiz espetos do mignonzinho que foram devorados, num sem cerimônias digno de picanha. Em 2006 preparei uma série de receitas com carnes de porco, para a Polinutri que as imprimiu e as publicou  em Receitas de Carne de Porco., com o dinheiro fui para Espanha. Há uma casa de carnes na avenida Portugal no sentido de quem vai para o bairro Santa Cruz logo que se cruza a rotatória 9 de julho e Antônio Diederichsen à direita, boa.
Assim que tenho comido esta carne corriqueiramente, o que me faz correr por combinações novas. O porco e o agridoce já é lugar comum, cansa como casamento. Assim que a coisa se tornou casual. Compro a carne e olho na ucharia. Combinações é o que busco. Testo. Contesto. Aprovo. Reprovo.
Uma que me agradou foi com curry. Na verdade um caril incrementado com pimenta do reino, páprica doce e picante, umas caienas picadinhas e um pouco de pimenta síria.
Limpei a peça de filé, misturei, na tábua mesmo, rebucei a carne e a ensaquei deixando que descanse, macerando, na geladeira por toda uma noite. Fiz o mesmo com uma mistura de amêndoas e castanhas do Pará que sobraram do final de ano em bourbon.
Fiz uma musselina de mandioquinha, soberba, com noz moscada, um terço de batata, manteiga, creme de leite,
Confitei mandioquinha e batata em óleo de girassol com canela e uma pimenta malagueta.







Retirei o filé-mignon do saquinho e passei por uma frigideira, não mais que untada de azeite – azeite picuan, se achar: é barato, encorpado, frutado e picante – cortei dele medalhões. Puxei as amêndoas e as castanhas em manteiga clarificada, e flambei com bourbon.
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A rosa. Tempura de Rosa com Água de rosas.



...

Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa
No amor!
Por Deus esculturada
E formada com ardor...

Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida
Pelo beija-flor

Pixinguinha e Otávio Souza 


Uma noite de ébrio estremado comi botão de rosa embebido em Four Roses. Era noite de Bar Bye, de extrema rebeldia. Muitos compravam os botões de Rosa para concretar a metáfora, uma rosa para uma flor. Funcionava. Eu comi a flor, a rosa mimética. Aprendia coisas sublimes, tais como molhar o filtro do cigarro em Cointreau e depois fumá-lo, ou ainda por fogo no Licor até dar uma ligeira aquecida na borda do pequeno cálice antes de emborcar. O bom de tudo é saber que jamais a Rosa, o Bourbon e aquele beijo saberão o mesmo que antes, mas o simples esbarrar com a possibilidade, me faz confessar, mas eu não confesso, recordo. A música do Pixinguinha é lancinante, impressionantemente me comprime e essa espremida no momento seguinte é o influxo necessário para uma expansão que me funde com cosmo, por um lapso de tempo posso sentir o sentimento do mundo drummondiano, mas me escapa ainda outra vez, a dor não cessa.

Tempura de Rosa?

Não é ideia minha. Na Catalunha em dia de São Jorge, cada cidadão e cidadã compra uma rosa e um livro e dá a alguém, há quem compre mais e por toda Barcelona esse dia se festeja o Livro e a Rosa.

Na Praça da Catalunha acontece eventos de toda sorte, foi onde vi Rosas rebuçadas com caramelo, tempura de Rosa etc.

O segredo do tempura está na sua temperatura, assim que dissolvo o fermento e misturo a água e farinha, a intenção é obter uma massa não muito espessa e tampouco líquida, de maneira que quando passo a pétala de rosa esta permaneça encoberta até a sua fritura. Aonde a tempura deve estar branquinha e crocante. Dai o truque é manter a tempura preparada em geladeira, se possível com pedras de gelo. Uma vez obtido a tempura de Rosas, pingo em cada pétala uma gota de água de Rosas.   
Não use rosas de cultivo desconhecido, se possível de seu próprio jardim.