Há alguns modos de
preparação do ossobuco que conheço. Mesclei o óbvio, que é o de
estofar a carne sobre um manto de um refogado que pode ser o mirepoix
leia que aqui fala sobre mirepoix e depois cobrir a carne com um caldo de carne, com o do cozimento em
vinho e caldo de carne.
Osso Oco. Ossobuco. Ossoco.
Tacu Tacu – Arroz com Feijão de Frigideira.
Desde sempre foi um
hábito familiar, requentar arroz e feijão num mesmo recipiente. O
fundamental é que sejam do dia anterior. Um dia entretanto quando
fazia isso para almoçarmos no trabalho, mi 'segundo', el peruano
Carlos Lopes, me disse que havia um prato de seu país que se chama
Tacu Tacu, fundamentalmente com tais ingredientes, arroz y frijoles
de ayer hechos a la sarten.
Guarneci com um purê
de inhame e um ovo frito.
Pênis de Chocolate com Fondant de Pera.
Todas as fotos são do sitio da empresa UIP
O
mundo virtual é um mundo de incertezas, imitando a vida real. A
gente vai fuçando. Vou atrás de um tudo que diga sobre comida. Há
as boas descobertas, as regulares, as más.. e algum, muito de vez em
quando, os olhos ficam maiores que a lua cheia. Arregalo os olhos e
pergunto: Pode? Pode,
claro que pode, tanto pode que anda a exibir-se. Encontrei esse pênis
de chocolate da marca catalã .United Indecent Pleasures
Não
que eu seja uma donzela que ri amarelo ao ver a réplica do membro
masculino, erecto. Surpreende seu acabamento, o aspecto de bombom
de luxo, porque não reconhecer, seus 8 inches (20 cm), próprio de
um homem tocado pela graça divina, genética.
A
senhora Millet que pensou a coisa, que a princípio não era
necessariamente um pênis, mas disse que planejou algo e quis que
seu desenvolvimento e resultado desse em algo que fosse descarado,
sugestivo e usável, mas sem sair da realidade, assim que se decidiu
pelo clássico, “uma bela rola”. No seu restaurante em Barcelona
chamado Mittus há sobremesas como essas: duas bolas de sorvete de
chocolate negro de onde sai uma banana que tem a ponta rodeada pelas
metades de um figo. Como os italianos, os catalães tem o figo, como
a própria vagina. Se diz figa tanto na Itália como na Catalunha.
O
pênis em questão se chama 8 Inches (20 cm), feito pelo mestre
chocolateiro Michel Laline da Chocolat Factory
Chocolat Factory e o desenhista gráfico foi David Ruiz de Ruiz+company
Ruiz+company. É feito em chocolate recheado com fondant de pera.
Para
terminar a Angelica Millet: conheço o mundo do chocolate e sabia que
no entorno erótico ainda não se havia feito nada “decente”
então uniu erotismo, chocolate e desenho (design) e umas gotas de
ironia e saiu a United Indecent Pleasures.
Timbal de Batata com Torresmo e Ovos.
É
uma espécie de café da manhã norte americano.
Seja o que for é
uma delícia. A gema deve estar ainda cremosa, pois este é o creme
do prato.
Frito um ovo. Moldeio-o e coloco sobre o timbal de batatas. Começo
cortando a gema, para que escorra sobre o conjunto. Então corrijo o
sal, pois gosto da gema salgadinha.
Filé-mignon de Porco ao Curry.
Tenho me esbaldado com
o Filé-mignon de porco. Básico, pago menos de R$10,00 o quilo, por
uma carne que tem a textura daquela do boi, sendo esta ainda mais
terna, tenra e cheia da graciosidade dos seus sucos, coisa que não
se encontra no filé-mignon de boi. Nem comento tanto, com amigos e
conhecidos, primeiro que esbarra numa série de pré juízos, desde a
remota taenia à recente gordura. Nessa seara proliferam argumentos
que se contrapõe o que para mim já bastaria, mas se não bastassem
sempre carregados de ignominia. Segundo, se os convencer, pode que aumente a demanda e o preço.
Assim que tenho comido
esta carne corriqueiramente, o que me faz correr por combinações
novas. O porco e o agridoce já é lugar comum, cansa como casamento.
Assim que a coisa se tornou casual. Compro a carne e olho na ucharia.
Combinações é o que busco. Testo. Contesto. Aprovo. Reprovo.
Uma que me agradou foi
com curry. Na verdade um caril incrementado com pimenta do reino,
páprica doce e picante, umas caienas picadinhas e um pouco de
pimenta síria.
Confitei mandioquinha e
batata em óleo de girassol com canela e uma pimenta malagueta.
Retirei o filé-mignon
do saquinho e passei por uma frigideira, não mais que untada de
azeite – azeite picuan, se achar: é barato, encorpado, frutado e
picante – cortei dele medalhões. Puxei as amêndoas e as castanhas
em manteiga clarificada, e flambei com bourbon.
.
Última ceia! ElBulli. Documentário.
Este é um documentário do último jantar servido no ElBulli.
Clique e assista: ElBulli: Última valsa.
Clique e assista: ElBulli: Última valsa.
Croquetes de chocolate. Ou bolinhos de chuva de chocolate.
Essa
sobremesa me arrepia a pele. Diz a lenda, que Eu estava esquentando o
óleo para fritar frango enrolado com bacon, enquanto batia uma massa
para bolo de chocolate, e a massa, a cozinha qui di casa é
pequenina, caiu dentro do óleo quente. Havia inventado o croquete de
chocolate.
Ganache
quer dizer 'imbécile', mas não se diz. Ou o solta entre dentes ou
se grita bem alto; GANACHE. IMBECIL dizem que um desses imbecis,
auxiliar de pasteleiro - ' pastisseiro' – deixou cair creme de
leite sobre chocolate e o chef glouton primeiro gritou: Ganache. E
tudo em seguida provou do resultado da mistura, e disse: falta um
petit peu de manteiga, e estava inventada a ganache.
Mas
podemos dizer a nossos amigos com bastante carinho: Oh votre vieille
ganache romantique et marxiste vous embrasse tendrement, mas se pode
dizer aos neo liberais também, basta ser amigo. enfim vamos ao
Ganache.
Agora
a massa do croquete.
No
liquidificador coloque três ovos, se for dos grandes, bote somente
dois, 100 ml de água, 6 colheres das de sopa de açúcar, 5 colheres
das de sopa de cacau em pó, 150 g de farinha de trigo e uma colher
das de sobremesa de bicarbonato ou fermento químico em pó , que é
a mesma coisa. Bata. E passe para uma bacia. Aqui em Ribeirão
estamos, mais cercanos de Minas que de Miami, - vizim mês - e nosso
aeroporto só é internacional para cargas, mas tem muita gente que
já fala bowl, para bacia que também pode ser tigela, é para estar
prontos para quando se puder alçar voo para a quermesse que se
perpetua na Disneyworld, e dar a mão ao Velho Donald. Invejo os
norte americanos, se fossemos tão perspicazes quanto eles, não
ficaríamos discutindo se o Pelé só fala besteira, teriam eles,
construído um gol sobre o cristo redentor e no outro morro colocado
o Pelé chutando uma bola, para ver se o cristo defenderia. Toda orla
de Copacabana estaria cheinhazinha de turista torcendo para o Rei.
Que
que nós vamos fazer agora?
Vamos fritar. Encontre um espetinho metálico. Pode ser os do
'Fondue', espete o cubinho da 'ganache' congelado, passe pela massa,
retire-o, girando, dando voltas para igualar a massa e que não fique
grandes gotas de massa por cair, leve ao óleo quente e frite,
quando o espeto se soltar estará quase pronto então com uma
escumadeira, zele, cuide para que frite por igual. Retire sirva
quente com uma bola de sorvete, se for de creme é excelente
combinação. Combinando temperaturas e texturas. Quente \ frio,
crocante \ cremoso. Vale muito a pena.
Quibe com Jabá. Comida de Boteco.
Ando numa preguiça nesse comecinho de ano, estou parecendo o Brasil estereotipado, na mass média. Mas a preguiça diz respeito a escrever. Não diz respeito a fazer, experimentar coisas novas ou novidadeiras.
União
oriente médio e nordeste. Trigo para quibe, cebola, alho, coentro, pimenta
vermelha e carne seca picada bem miudinha.
Quiabo com Caldo de Feijoada.
Omelete de Abobrinha.
Tortilha Espanhola com
Abobrinha. Omelete de Abobrinha.
Passei anteriormente
por frigideira e azeite as abobrinhas, a linguiça, cebola, alho e
cheiro verde. Botei uma pimenta dedo de moça. Numa bacia onde havia
ovos batidos, despejei as abobrinhas refogadas, mexi e misturei bem.
Então botei numa frigideira e quando a parte de baixo estava já
dourada, com a ajuda de um prato dei um tombo no omeletão e voltei-o
invertido à frigideira.
Purê de Mandioquinha com Cogumelo ao vinho.
A cebola. Comida para Ler.
A sorte das nações depende do modo que
se alimentam
. Brillat-Savarim .
A cebola é
Kierkegaardiana, como a alcachofra, um ser em várias camadas, que ao ser desvelado
capa por capa, sempre nos mostra menos, até o próprio lugar
nenhum, onde a profundidade é sinônimo de vacuidade, nada. Tenho um
amigo que não lhe gosta a cebola, repete isso a cada encontro
gastro enólico. Um dia me cansei dizendo: quem é você para não
gostar da cebola, ela é anterior a seu pobre ego, ela sim é quem pode gostar ou não de ti.
Há uma cena em Brazil O Filme, em que o protagonista vê o amigo sumir em meio um
redemoinho de folhas de jornais, e ele no intento de localizá-lo, naquele
embrulho, separa desesperadamente folha por folha até chegar no mais
absoluto nada.
A cebola pode ter seu
ponto de partida na Ásia – Afeganistão - , passou pela Pérsia,
Africa.. andou mundo. Faz chorar por exalar - ao ser cortada –
ácido sulfínico que é volátil e instável, e o gás produto desta
instabilidade em contato com a água dos olhos produz ácido
sulfúrico, que é irritante, então choramos para diluir o ácido.
Enfim a cebola é controversa.
Encontramos alguma
variedade da allium cepa por aqui, menos do que se poderia. Eu
gosto muito da cebola nacional para a salada. Tomate e cebola, azeite
e sal. A cebola nacional é aquela mais oblonga, digo aquela, pois a
maioria é produzida por aqui. Como dizia: oblonga e a sua camada
mais externa nunca se seca por igual, não sabe envelhecer, como à Argentina. É excelente para a salada, por ser mais adocicada.
Quando recém-colhida é mais tenra, é o momento ideal para
desfrutar de todas suas qualidades, mas se pretender algum
preciosismo de textura, vá a parte mais interna do bulbo. Como o
caso é salada de cebola, esta merece um corte especial. Sempre a
corto na longitude e em quatro, desmancho-a o menos possível. Uso
uma flor de sal, sal marinho etc. Azeite - tenho um que se acaba –
de azeitonas alberquinas, sua acidez muito baixa e a pouca força, em sabor de azeitona, é ideal para apreciar o vigor dessa delicadeza, claro, um pouco nervosa, cheia de arestas, mas como todo vilão, a cebola tem seu ponto de doçura.
A cebola roxa é
globosa e é algo mais picante e menos doce que a cebola branca
nacional. É uma alternativa para saladas que carecem um pouco de
cor. É fantástica para refogados e quando se quer ganhar tonalidade
para o molho final. Ao ser refogada perde sua cor. Uma maneira
deliciosa de perpetrá-la é assada e depois cortada em lágrimas.
Outa possibilidade é
a cebola globosa e dourada, que alguns dizem: argentina. Tango puro.
Altas concentrações de sulfínico. Eu não choro, por usar lentes
de contato, creio. Gosto dela para fazer refogados. Se presta muito
para o trabalho de cortar em cubinhos, sua formação não se desfaz
facilmente, permitindo cortes mais amiudados. Coisa que se poderia
conseguir com um ralador, mas que desde já se diga, não é a mesma
coisa. Ao ralar danifica-se completamente suas células e fazendo-a
verter mais liquido e por conseguinte, mais gás, fazendo mais chorar, e
pouco se prestando ao refogado, que vira uma papa.
Sua acidez, muito
ajuda no cozimento de outros alimentos – amolece - . É um
ingrediente fácil nos ceviches por esta razão, cozinhar o peixe, para cozinhar polvo, lula, feijoada, carnes duras em geral, particularmente, rabada, vaca atolada ( costela)
Curiosidades de Cortes.
Pode-se cortar na
forma de lágrimas.
Em cubinhos mui
pequenos, são chamados brunoises.
Em cubos um pouco
maiores, são chamados mirepoix ( note que aqui o nome inicialmente é
de um conjunto de ingredientes – base para cozidos em geral - que
é formado por cebola, cenoura, aipo, toucinho etc, também se presta
a dar nome ao corte.)
Em tirinhas do sentido
longitudinal, são chamadas: a juliene, a juliana.
Ou ainda em rodelas
grosseiras, grossas, finas e finíssimas.
O tamanho do corte é
determinado pelo uso subsequente, tem finalidade. O brunoise tende a
desaparecer dentro da preparação do prato, enquanto o mirepoix
tanto pode permanecer visível – na sopa – como ser coado,
apartado do que se tem de fato interesse o caldo, os sucos.
Refogado.
Existem tantos
refogados quantos podem imaginar uma pessoa; que imagina mais coisas
que as pobres coisas que existem. Eu já perpetrei um refogado por
duas horas e trinta minutos. Tudo para fazer uma paella. Valeu a
pena.
Croquetes de Bacalhau. Comida para Ler.
O ano de 2009 me foi
particularmente gostoso, vivi dois verões. O primeiro deles foi num
Poble, palavra que designa povoado, vila, rincão, aos pés dos
Pirineus catalães. Poderia dizer espanhóis, mas como se me dessem o
direito de escolher uma segunda pátria, escolheria a Catalunha, por
uma série de motivos, e um deles pode que seja o de ela não ser
mais que uma nação, com um desejo imenso de ser Estado. Pois à
Tornabous, o Poble, como na maioria dos povoados de lá, há uma
piscina pública, que ademais fica fechada todo o tempo, exceto no
verão.
Produzi alguma alteração, ao botar no refogado um pimentão vermelho picadinho, umas azeitonas verdes e um tico de salsinha. Nada que rarefizesse sua leveza. Manteve-se um toque picante de fundo, e a qualidade de nenúfar aportada pela noz moscada. Ficou assim uma casquinha crocante que explode na boca, pois o bechamel quando volta a ser aquecido no momento da fritura ganha novamente sua textura de molho.
Comida para ler. Ceviche de Bacalhau.
Casei-o com um espumante da
Salton, brut, mas não consegui o efeito que, com certeza, teria
conseguido com o vinho verde, que em tempos, nem tão, remotos, cederia
passo ao Alvarinho, mas nem tudo foi tristeza, se o ceviche
passeou com suas idiossincrasias, sabia tão bem, que nem dava muita coragem de engoli-lo ( não havia tanto para tantos comensais), idiossincrasias nem tão alheias assim, as azeitonas
azapas, as alcaparras, os pimentões sem peles, os tomates, as
cebolas e os alhos sempre foram parceiros do bacalhau, o limão é
que lhe deu esse gosto de Carmem Miranda, de choro Brejeiro.
Bistrô Rural: Comida Para Ler. El Bulli Sevilla.
Um dia no El Bulli. Alqueria. SanLucar La Mayor - Sevilla. original deste blog.
Há sempre um
livro nestas páginas em branco, uma vida nesta cronologia sem
espaço.
Sou um estranho
neste jardim.
Andam de um lado
para o outro carregando a certeza de que irão decidir a sorte da vã
humanidade.
A compenetração
e seriedade tangem o obtuso. A ubiquidade: ser, prato e ingredientes
-necessária - . Mas a flauta é mais feliz que o flautista, e a
música se perde no vácuo dos ouvidos moucos.
Chego a achar que
falta vida ao prato, uma fumacinha talvez - aquela fumaça quase
protagonista nos filmes cults que têm como 'cenário' San Francisco
ou bairros pobres de N.Y. - que seja uma fumacinha subindo do filé,
como sinal de vida, ou de vida vazando, que viver é vazar em...,
algo além da obtusidade fulgurante do fenótipo "belo". E
por pequeno que seja um dedal, ele transbordará se uma cabeça de
alfinete ai for vertida, para a felicidade.
Asséptico,
pasteurizado, é o mundo privado de qualquer barroquismo - ainda que
se permita um certo rococó da bisnaga de redução de balsâmico
ziguezagueando pelo prato, da erótica gota de caldo de carne,
grosso, como fosse um purê finíssimo, colocada ali para que jamais
termine de incidir sobre o fundo branco, de um prato que em sua
demasia é branco.
trufa.
Assinar:
Postagens (Atom)
