Figo Ramy.
Pois, de pois de tanta conversa, Simon fez o Figo Ramy. Ele o servia secundado por um Zabaglione, com raspinhas de limão siciliano eu e creio que com uma quenelle de sorvete de creme.
Um aparte "de salão". Os
italianos, os catalães, dizem figa, no feminino, e a figa tem um
apelo sexual. Posto que o figo muito se assemelha com "ela" quando cortado
longitudinalmente.
É fácil fazer o
pitéu. Faça uns talhos em cruz nos fundilhos dos figos, coloques
uns ao lado dos outros numa panela de fundo grosso, coloque café,
açúcar, preferentemente, mascavo, um licor, ou conhaque, ou rum, ou um aguardente. Eu botei uma amarelinha que tenho no corote, um -pau de canela, e um veja você: disse um cravo. Tape bem tapado.
Deixe em repouso em lugar fresco por uma noite e uma tarde. No dia seguinte quando você abrir a panela, sentirá um olor que já vale pela coisa toda. Mas não se desespere em pressas vãs, bote a coisa para cozinhar a fogo lento e panela tapada, não lacrada.
O “leite” liberado pelos figos, o açúcar, a cachaça, a canela, o café, o cravo e os próprios figos coisas tão dispares que ajuntadas por questões que desconheço, mas penso de pronto nos Turcos, pelo café e por que o figo tem a ver com eles, a canela que tá lá por perto, a pinga que ninguém é de ferro.
Deixe em repouso em lugar fresco por uma noite e uma tarde. No dia seguinte quando você abrir a panela, sentirá um olor que já vale pela coisa toda. Mas não se desespere em pressas vãs, bote a coisa para cozinhar a fogo lento e panela tapada, não lacrada.
O “leite” liberado pelos figos, o açúcar, a cachaça, a canela, o café, o cravo e os próprios figos coisas tão dispares que ajuntadas por questões que desconheço, mas penso de pronto nos Turcos, pelo café e por que o figo tem a ver com eles, a canela que tá lá por perto, a pinga que ninguém é de ferro.
Servi com zabaglione,
sabaione, zabaione, ( para uma gema uma colher de açúcar; asim cinco
gemas, cinco colheres de açúcar, uma colher de vinho do porto, mas
pode ser Marsalla, ou cognac, ou brandy, conhaque não. Leve tudo ao
banho maria, batendo sempre na mesma direção até que o açúcar se
funda, sem cozinhar as gemas e forme um creme delicioso.
Gnocchi.
As cercanias
de Florença observam
' Ognuno può fare della sua pasta gnocchi'
e
isso pode querer dizer: qualquer um pode fazer seu grude, ou
simplesmente, elegantemente: cada um tem a sua crença.
Dizemque o Gnocchi, que
nem assim se chamava, o que não importa nesse caso, era cometido
pelos pobres: é sempre a história porca. Quem quiser saber a origem
disso e de outras coisas deve ler entre hoje ou mais tardar amanhã,
o caso do detetive Antônio Niterói no blog o princípio da historia que desvelará
a origem da história, que explica sem cerimônias o fato de os
pratos tradicionais terem origem nas classes menos abastadas.
Voltemos ao Gnocchi, dizemque os ricos faziam suas pastas com farinha
de grano duro, os pobres usavam o pão velho, ralavam-no e o
misturavam com um tiquinho de farinha não cozida. E faziam esse
quitute, aparentemente como os temos hoje. Até que um dia a iguaria
caiu na graça dos poderosos, que claro a sofisticaram, onde pão
velho, grano duro. Pobres cozinhavam em água com ossos de galinha,
os outros em água de cogumelos porcini, venga avanti!
Até que, um dia chegou
em Veneza a batata, pela Áustria, Tirol. Do Peru, que tem uma
variedade de batatas assustadora. Dai veio a mistura da batata com
farinha.
Hoje, bom é:
pouquíssima farinha, batata bem cozida, o que dá leveza e
digestibilidade à massa, refinamentos de uma iguaria. Mas como
dizemque, dizem na Toscana profunda. 'Onguno può fare...'
A Cozinha Italiana
parece fácil. E é fácil quando vemos as receitas. Batata, farinha,
da batata faça pure, mistura com pouca farinha e pronto. Pronto
nada, é ai que volta o 'Oguno puó fare....'. Porém se queremos
algo memorável, temos que chegar ao ponto. No Gnocchi esse ponto é
a leveza, não o peso, a esponjosidade não o condensamento. O ideal
era ter umas batatas 'velhas' ou seja maduras, que já perdeu água.
Outro cuidado é assá-las com casca e tudo embrulhadas em papel para
forno em vez de as cozinhar, tudo para evitar perder amido e não
ganhar água.
Esse gnocchi não leva
ovo. Um quilo de batata bem cozida, para 100 gr de farinha de trigo.
Assar as batatas
envoltas.
Pelá-las ainda quente.
Passá-las pelo passa
purê.
Quando mornas trabalhe
o purê com a farinha.
Quanto mais braço
menos
farinha,
melhores nhoques.
Depois é dar forma,
fazer ranhuras com o garfo ou fazendo ligeira pressão sobre eles e
eles sobre uma peneira, tudo é criatividade para o molho se
“agarrar” ao gnocchi.
Para cozinhá-los
aconselha-se botar 'uma leva' de cada vez para que boiem ao mesmo
tempo, facilitando o trabalho, boiou tá cozido. Escorra.
O molho de tomates.
Tomates pelados e sem
semente, se quiser, e cortados a troços grosseiros. Troço já é
grosseiro, enfim.
Numa frigideira com
azeite, sem parcimônia, salpimento (louco né, pois é, sal e
pimenta no azeite se você tiver uma ou duas malaguetas, já é o
bastante), depois uma ralada de noz moscada e um nadica de nada de
orégano, se você gosta, bote mais. Rapidamente bote ai uns 6
tomates pelados e picados e deixe engrossar, reduzir, da espessura,
textura que te faria você se apaixonar outra vez pela mesma pessoa.
Pode dispor uma camada
de molho, uma de gnocchi e uma parmesão e se repete. Excelsos! Sem serem pletóricos.
Rabanetes Assados, Crocantes de Presunto Cru e Agrião.
Claro que não ficaram
vermelhos como eu queria, ou planejara que ficassem, mas ficaram
rústicos. o ponto de cozimento fui experimentando ao longo do processo. Chegou um momento
exalava um cheiro de trufas. Mas ao mesmo tempo de restaurante de
japoneses, não exatamente restaurante Japonês. Esses que exibo,
foi colheita do melhor ponto de cocção. Uns 45 min. Deixei um par
ainda no forno, mas perderam muito líquido e ficaram vazios, como se
fossem rabanetes secos, que no momento não estou interessado.
Agrião. Uns crocantes
de presunto cru, que assei prensados entre folhas de papel
sulfurizados ( outro dia encontrei desses rolos lá no Carrefour do
Shopping) que tem uma das faces bem lisas e brilhantes que é a que
deve entrar em contato com o alimento.
Todas as qualidades
palatáveis do rabanete fresco se encontram no assado, um pouco
abrandadas.
Usufrui com um Merlot
de 16 reais. Tanto o líquido quanto o sólido se comportaram bem.
Não facilitaram, pois não se pode esperar isso do rabanete e tampouco de um merlot nacional de 16 reais, que em todo caso é muito dinheiro, para "pouco" ou quase nenhum vinho.
Comida de Boteco. Espetinho de Banana Prata com Presunto Cru.
É uma delicia. Outra
possibilidade é espeto de banana com bacon.
É só mostrar para a
frigideira. Ou para a churrasqueira. Com bacon fica perfeito com uma
gotinha de azeite de pimenta.
É bacana na mudança
de pratos. Depois da salada. Antes da sobremesa. Antes do peixe. Ou
da carne.
vá dobrando alternadamente.
Tiramisù
“Il
Tiramisù, è sicuramente uno dei dessert più golosi e conosciuti al
mondo.”
Entenda-se
golosi por deliciosa. Não sei se a mais deliciosa, por não crer em
nada limite, mas sicuramente a mais conhecida e seguramente uma
delicia. Dizemque foi inventado a “pedidos” do Granduca di
Toscana Cosino di Medici, e por isso se chamava “ zuppa del duca”
próprio in onore di Cosino. Em italiano como em espanhol ou catalão,
“tirar” quer dizer levantar, estirar, estender, tender de
tensionar, e uma das possibilidades do nome, vem de “tirare su”,
pois dizemque, já é outra história, a sobremesa foi servida às
pressas, posto que, o restaurante “el Toulà” já estava para
fechar. Histórias. Há quem diga que tiramisú quer dizer “levante
meu astral” sendo que “su” pode ser alto “giu” baixo, norte
e sul, andare su i giu, é andar para cima e para baixo, perdido.
Para
mim há uma bebida, também italiana, que é a cara, escarrada do
tiramisù, o Capuccino. Leite, café, creme de leite e chocolate. A
diferença está no creme inglês e na bolacha champanhe. Mas o
cerne, o âmago da coisa está no Capuccino. Quando fiz estágio no
ELBulli Sevilla, havia um italiano que fazia o tiramisu, segundo ele,
ancestrale, ma che! Dico. Italiano é igual argentino. Mas digamos
que havia fundamentos. Uma das mudanças qual passou o tiramisu, foi
uma necessidade de pasteurização do zabaione, o creme inglês, que
é gema de ovos com açúcar batidos até montarem e clarearem. Dizia
Marcelo que antes não se levava as gemas até a temperatura de 70 ou
80 graus, e se usava as claras batidas a ponto de neve, pois não se
temia a salmonela. Assim ele batia as gemas com açúcar, as claras a
ponto de neve, batia o creme de leite e o mascarpone.
Tudo a
temperatura ambiente. O único problema é de fato o risco da
salmonela, fora isso é fantástico, pois com as clara em neve, o
creme ganha em airosidade. Uma vez que tenho tudo preparado, misturo
primeiro o mascarpone com o zabaione(gemas montada) e sigo misturando
o creme de leite e termino com as claras, as amalgamo ao conjunto com
a espátula num movimento que vem do fundo da bacia para cima com o
cuidado de não perder o trabalho realizado com as claras, sem
pressa, lentamente. O resultado é um creme leve, quase branco, bege,
bege claríssimo. O restante todo mundo sabe. Café, que é uma das
graças dessa sobremesa, deve ser forte, expresso se possível. Se
gastei dinheiro com o mascarpone, devo gastar com o café. Não
gastei com o licor, que pode ser Marsalla ou rum, eu usei rum
Colombiano Aniversario, que ganhei no meu aniversário.
Outra
maneira de cometer o tiramisu, é montar as gemas com açúcar em
banho maria, para que não cozinhe as gemas e o açúcar se funda. E
não usa-se as claras. O restante do procedimento é o mesmo, sendo
que é necessário que se espere as gemas, montadas em banho maria,
esfriarem. Convém manter todo o conjunto na geladeira.
Paella Preta.
Paella com arroz preto,
na verdade grená, grená escuro, escuro como a asa da graúna,
graúna que voou baixo sobre o Santos, Santos que é dito Peixe,
peixe que é dieta mediterrânea. Quatro a zero.
Para essa paella tenho
pronto o refogado, você pode buscar mais literatura 'aqui' a respeito
de refogado, tenho o suco de peixe aqui também.
Sirvo com limão
siciliano, uma boa opção de substituição é lima e limão Taiti,
ou galego. Bon profit u millor salut i força in canut. Visca el
Barça.
Paella. Prefácio. Refogado, Suco de peixe e Valência.
Falla de Don Quijote Sideral.
Sinédoque.[Retórica Tropo que consiste em tomar a parte pelo todo, o todo pela parte; o
gênero pela espécie, a espécie pelo gênero, etc.
Metonímia.
Figura
de retórica que consiste no emprego de uma palavra por outra com a
qual se liga por uma relação lógica ou de proximidade.
Tem
essa coisa de estarmos diante dum acontecimento sinedóquico, de o
instrumento ter dado nome ao
prato. Em Espanha, como diziam os
antigos, em seus papiros, paella é uma frigideira, por isso, larga e
baixa. Não vou me meter a filólogo de última hora, por ser mais
bonita a questão simbólica figurativa.
Ou seja, no principio se
cometia o acepipe numa paella, onde outros acepipes eram, também,
perpetrados, cada qual a seu tempo, desnecessário dizer. O quê
aconteceu, então? Aconteceu que, num indeterminado momento, o prato
ganhou o nome, do recipiente, donde se dava a sua industria.
Aconteceu mais, tal prato ganhou fama, seu aroma enfeitiçou povos,
sua cor afugentou inanições, e isso se sucedeu a tal modo e ponto
que a paella, a paella instrumento, foi renomeada para paellera. A
coisa seria a mesma se, a feijoada se chamasse Caldeirão, e o
caldeirão hoje houvesse, para melhor entendimento, de se chamar:
Caldeirãoeira ou eiro, Caldeiraneira, Caldeirãeira. É a primeira
“inversão” do uso Metonímico|sinedóquico que conheço, assim,
sem pensar, de cor, de supetão, mais metonímica que sinédoque.
Tem-se
que, a paella é valenciana, e de tal paella há a vegetariana, a de
frutos do mar e a mista – mar e montanha – . Acontece que a
paella popular feita em Valência, é seca, com arroz solto, aonde
realça-se o sabor em detrimento da exuberância dos ingredientes,
pois trata-se mais de um arroz que qualquer outra coisa, e em outros
sítios da costa mediterrânea ganhou influências locais. Assim que
na Catalunha é mais suculenta, cremosa, caminha na direção do
risoto italiano, usa o arroz gordinho, que desprende mais amilase,
sendo mais afamado o Arroz Bomba. Em Valência, o arroz utilizado
está mais para agulhinha que arbóreo.
Paella
em Valência.
Agora
o mais importante em todos os casos é o caldo. Que no caso de uma
paella com frutos do mar, o importante é o fumê (francês) e o
suquet de peix ( catalão|valenciano) este feito basicamente com
peixes de rochedo ( peixes que habitam encostas).
O
suquet basicamente é cometido com cabeças. espinhas e peixe,
legumes – tomate, cebola, alho, salsão, pimentão vermelho - e
vinho branco.
A
paella é invariavelmente oferecida em restaurantes de “menu”
diário – o equivalente aos nossos self-services e quejandos – às
quintas e sábados como um primeiro prato. O costume, hábito é
comer primeiro e segundos pratos, aonde a carne está sempre no
segundo prato, o primeiro pode como a paella ser arrozes, massas,
etc. Claro que antes do primeiro há a ensalada e depois do segundo o
postre.
No
dia de São José, padroeiro de Valência, fazem a festa das Fallas,
A
queima das Fallas. Fallas são “esculturas” gigantes que ao final
da festa são queimadas. Trata-se de uma festa que dura três dias.
Cada Falla é produzida por uma espécie de Comunidade e essa
comunidade tem por hábito fazer uma paella em fogueira de lenha,
sobre o asfalto da rua.
Importante,
por fim, é o caldo de peixe. Depois do caldo de peixe vem o
refogado, o famoso “sofrigit” em catalão e “sofrito” em
espanhol. Que resume-se a cebola confitada em azeite por horas (
segundo o grau da tara perfeccionista de cada um), alho e tomate. A
essência da coisa é que a cebola se caramelize. Se temos o suco de
peixe e o refogado poderemos partir para a paella sem medos.
Espuma de Coca-Cola.
As bolhas de gás
carbônico da Coca-Cola, por assim se dizer, o são.
Resolvi fazer a espuma
de Coca-Cola. Resume-se ao seguinte. A albumina contida na clara de
ovos quando batida ganha textura de espuma e de nuvem e muito da
pastelaria (doces) vive dessa nuvem, que por sinal não deixa rastro de seu sabor inicial, primevo, o ovo.
Pois bem, bati as claras a ponto de neve e depois fui botando Coca-Cola, não é necessário
por açúcar.
Ai temos o doce mais
efêmero que conheço, para fazer e para saboreá-lo.
Isso sim é que
é desmanchar na boca.
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